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Acho que estamos precisando

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 19.12.08


Propaganda Claro Compartilha Completa

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Casulo

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 8.12.08

Há dias em que nos sentimos estrangeiros em nossa própria terra.  É como se uma nuvem negra que aos poucos se formava ao longe, fosse lentamente cobrindo e mudando toda o panorama. Até mesmo o sol que reluzia formoso no céu da nossa existência, se encolheu num canto qualquer, ante a imponência da gélida temperatura que passou a imperar.

E neste novo cenário, o canto dos pássaros se calou, o aroma das flores se perdeu na umidade, os rios tornaram-se traiçoeiros e o silêncio passou a imperar até mesmo em nossos pensamentos. No fundo sabemos que aquele local não mais voltará ao normal e que devemos seguir em frente, em busca de novas paisagens. Porém, um som tímido teima em nos seduzir, incentivando a procurar um esconderijo e ali pousarmos até que tudo enfim se regularize. Só que somos obrigados a nos rendermos diante da realidade que se desnuda a nossa frente, pois até os locais que sempre nos serviram de refúgio se tornaram inóspitos. E descobrimos perplexos que a voz que nos falava  era a covardia, capciosamente travestida de esperança.

Passamos os olhos marejados por toda aquela devastação, buscando em vão ao menos um ponto seguro, e acabamos paralisados numa luta inócua contra a impotência que começa a tecer suas garras sobre nosso coração. Queremos parar só por um instante, um minuto apenas para sentir o velho e conhecido aconchego, mas tudo nos empurra para a frente. Porém, de forma a acelerar o ritmo devemos seguir mais leves, e somos obrigados a largar parte da bagagem que nos acompanhou até então... alguns sonhos de criança... mágoas antigas... ilusões... castelos desfeitos... padrões... Enfim, todas as peças que não mais pertencem a nossa essência, pois perderam ao longo do tempo todo o significado e passaram a apenas ocupar precioso espaço.

E vamos seguindo contrariados, confusos, a passos lentos, perguntando a Deus secretamente porque tanta escuridão. E em resposta, um pequeno sopro de calor invade nosso peito e revitaliza nossa energia vital, e intuitivamente temos a certeza de que novos - e melhores - tempos nos acolherão no momento certo. E, embalados por esse prenúncio nossos olhos buscam de relance outro foco, e encontram ali mesmo naquele ambiente rude, uma lagarta se contorcendo em dolorida e solitária dança para se livrar do casulo e finalmente abrir suas asas coloridas de borboleta.
E ante essa epífane da natureza continuamos a seguir a passos agora um pouco mais confiantes, tendo entretanto, a plena certeza, de que
os pedaços que ficaram para trás, nos tornarão mais inteiros!

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Charice

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 4.12.08
Estava de bobeira "zapeando" pela Net, quando me chamou a atenção uma menina que pulava e vibrava com uma simpatia e simplicidade contagiante no programa da Oprah Winfrey.

Descobri que o nome dela era Charice Pempengco, Filipina de dezesseis anos, descoberta no último ano em um reality-show musical.
Pelo que li navegando na internet, Charice é de origem muito pobre e canta desde os quatro anos de idade, incentivada pela mãe.

Charice caiu nas graças de Oprah Winfrey, e através dela conseguiu realizar seu sonho de menina (bom, com dezesseis para mim continua uma menina): cantar ao lado de sua musa, Celine Dion. A música foi dedicada à mãe de Charice...

É... em meio a tanta escuridão, Deus não esquece nunca de seus filhos amados... continua enchendo o planeta com estrelas, que mais cedo ou mais tarde, encontram seu céu para brilhar!

Quer se emocionar um pouquinho? Assista...



Celine Dion & Charice Pempengco (DUET) "Because You Loved Me"

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A tristeza permitida

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 2.12.08

Recebi hoje (como sempre, providencialmente), um texto que não só amo como assino embaixo. Em "A tristeza permitida", Martha Medeiros diz, em suma, o seguinte:

"Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor — até que venha a próxima, normais que somos."

O texto não é, nem de longe, um culto a tristeza, mas sim um fiel defensor do nosso direito a períodos de introspecção. Porque, explica a autora, "ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido. Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou com si mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente — as razões têm essa mania de serem discretas."

Mais um ponto para a Martha.
Hoje reconheço claramente as manifestações da minha alma (anos e anos de terapia :-). Quando a tristeza me alcança, a primeira coisa que providencia é o fechamento temporário da minha boca. Tenho uma necessidade visceral de ficar quieta. E, não é uma tentativa velada de ferir através da indiferença, ou de me proteger... é apenas a minha forma de focar toda a atenção para dentro de mim, porque é ali que está o problema... bem como, a solução. Acho que meu corpo inteiro se concentra na tarefa de restaurar minha harmonia, e até mesmo falar desperdiça uma energia que sequer disponho naquele momento em específico. Economia energética se torna o lema da vez.
Aliás, minha forma de verificar se estou em estado de "tristeza pura" ou em estado de "pura birra" (sim, sim, a Sheila birrenta às vezes tenta me passar a rasteira), é me fitando no espelho. Nestas horas a célebre frase "os olhos são o espelho da alma" não poderia ser mais adequada (e real). Um exame mais acurado revela que os olhos adquiriram uma outra tonalidade, perderam um pouco do brilho habitual, enfim, estão fechados para balanço. Minha sensação é de que eles estão chorando, sem entretanto derramarem qualquer lágrima (lembre-se que estou economizando).

Neste aspecto, acredito que ao longo da vida tenha conhecido de perto os extremos: ou escapava da tristeza como o diabo foge da cruz (assistia comédias, devorava livros alto astral, forçava a gargalhada e colocava colírio nos olhos), ou a cultivava como um bichinho de estimação extremamente frágil (ouvia àquelas músicas que até em estado normal me fazem soluçar, lia obituários e imaginava cada morte em detalhes, dando asas à minha imaginação trágica e exagerada... entendeu porque faço terapia?).
Hoje, talvez, esteja mais perto do equilíbrio. Quando esse sentimento me alcança, não fujo nem o abraço incondicionalmente. Apenas permito que ele se apodere do meu corpo, da minha mente e alma, e transmita o seu recado. Não o repilo, nem o afugento antes da hora.
Antigamente, tinha necessidade de falar, de expressar minha dor de todas as formas possíveis, de ferir na mesma proporção do meu ferimento, de conversar reiteradamente sobre o assunto com amigos, familiares, enfim, qualquer pobre coitado que atravessasse meu caminho. Hoje, o silêncio tem o poder de restaurar quase tudo, não preciso mais escutar o som da minha voz... a conversação é privada, de dentro para dentro. Talvez seja um demonstrativo de que minha auto-estima esteja melhorando, e de que hoje (finalmente!), eu possa contar comigo para o que der e vier.
Nosso Criador pensou em tudo. Meu corpo é uma máquina perfeita, que, quando realinhado com mente e espírito, sabe exatamente a hora de abrir a boca novamente. É só ter paciência para respeitar seu ritmo sagrado, e não tentar forçar a concha que se formou ao meu redor... no momento certo, ou, melhor dizendo, no "meu" momento certo, ela abrirá espontaneamente (óooooobvio, que neste ínterim, toda e qualquer forma de carinho será sempre muito bem-vinda, e poderá até agilizar todo o processo :-).

É libertador quando você passa a assumir sua cota de responsabilidade quanto a tristeza. Porque, a partir do momento em que você próprio cata, avalia e restaura os caquinhos e fissuras que se instalaram na alma, não mais precisa dar explicações a ninguém, e pode ainda seguir no ritmo que bem entender. Além do mais, você deixa de colocar seu bem-estar na mão de terceiros. Só que às vezes, essa liberdade se revela por demais... solitária. Nestas horas, quem sabe, vale colocar uma música e cantar a plenos pulmões... e se permitir embalar ao som da própria voz.

"De quando em quando, é imprescindível que dialogues contigo mesmo.
Que te contemples, a sós, na face espelhada da consciência.
Que te indagues quanto aos teus propósitos na vida.
Que efetues honesto balanço de tuas ações.
Que não sustentes qualquer ilusão a teu respeito.
Que não representes para ti mesmo.
Que te desnudes no silêncio de tuas reflexões.
Que te vejas como não ousas mostrar-se aos outros.
Que analises as tuas tendências e conheças as tuas inclinações.
Que estejas com Deus, sem que ninguém mais esteja contigo."
(Carlos Bacceli / Irmão José)


Danni Carlos - Coisas que eu sei

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Coração

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 30.11.08


Hoje meu coração silenciou tudo e todos e gritou para ser ouvido...
Argumentou estar sufocado por tantos desatinos...
Não mais entende palavras que não são seguidas por atos...
Não mais compreende as nuances de sentimentos contraditórios...
Não mais suporta o descaso daqueles a quem quer tanto bem...
Não mais agüenta o soluço das próprias batidas...

Ele não ousa parar (no fundo, talvez gostaria)
Pede entretanto, a desconexão imediata, nem que por alguns segundos, do resto do corpo...
não quer mais receber recomendações da mente...
nem ouvir os choramingos da alma...
não quer saber de traumas do passado, mágoas do presente ou dúvidas quanto ao futuro...

Quer apenas existir...
sem tempo ou espaço a lhe guiar...
ser sorvido pelo próprio batimento...
absorvido pela vida que ainda jorra em seu interior,
mas que está pouco a pouco sendo drenada pela negligência de seus freqüentadores...

Hoje meu coração, cansado de tanto desalinho, pediu um minuto de paz.

PS: Hummmm... adivinha que filme vou assistir hoje? :-)

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Papai do Céu

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 28.11.08



Papai do Céu...
Desculpe-me... no auge dos meus 38 anos sou compelida a Chamá-lo assim... talvez porque neste exato momento, me sinta como uma criança pequenina, desamparada e precisando de alento, tamanha a minha fragilidade e confusão
É que a noite aos poucos nos envolve com seus longos braços, e a água que escorre do vidro da janela revela sem piedade uma verdade que não quero enfrentar
A despeito de todos os apelos que ecoam por nosso País, a chuva continua a castigar nossos irmãos, misturando-se com suas lágrimas sofridas
Confio em Ti Pai, e isso implica aceitar Seus desígnios, mesmo quando eles deixam meu coração dolorido... mesmo quando o que temos nas mãos são apenas peças desconexas e surradas de um quebra-cabeça cuja arte final não conseguimos ainda enxergar, quiçá imaginar
A vivência nos ensina que até mesmo as grandes tragédias carregam consigo significativos ensinamentos, que, num futuro às vezes bem próximo, acabam se transformando em bênçãos
Entretanto, até que esse momento tão sonhado chegue, precisamos de Ti Paizinho, como filhos pequenos tropeços ao arriscar os primeiros e temidos passos

Papai do Céu...
Que os dissabores enfrentados nestes últimos dias sejam o adubo necessário para fazer florescer o jardim da nossa força de vontade
Que os botões da paz, do amor, da caridade e da vitória, desabrochem com todo o esplendor, envolvendo a todos com seu aroma inconfundível, sobrepujando o odor do medo e desespero que ora impera
Que além de provermos nossos sofridos irmãos com o alimento e vestimenta do corpo, possamos também ser o portador da semente da esperança, fazendo-a brotar até mesmo nos lodaçais que a vida está a nos impor
Que a fraternidade encontre sempre solo fértil no nosso coração e possa envolver a todos os desabrigados que jazem perdidos nesta terra que, por ora, se tornou tão inóspita...

Papai do Céu...
Quando as incertezas do cotidiano tentarem se infiltrar na nossa serenidade, e a chuva das provações terrenas estiver fustigando o solo da nossa jornada, Lembre-nos que Deus, O Construtor Eterno, estará sedimentando amorosa e incansavelmente com bênçãos a nossa estrada
Quando o vento da fé cessar seu sopro, Rememore-nos que nosso anjo da guarda estará batendo furiosamente suas asas, afim de que nem por um segundo sequer, o hálito da confiança deixe de nos alcançar, e a solidão jamais consiga se instalar em nosso espírito
Quando o cansaço abater nosso corpo, Recorde-nos que sempre encontraremos uma mão amiga disposta a nos ajudar a completar a viagem, num compasso cadenciado e em silêncio restaurador, que somente almas companheiras sabem desfrutar...

Papai do Céu...
Envolve com Teu manto àqueles que não tem onde dormir
Envolve com Teu espírito àqueles que não tem o que comer
Envolve com Tua luz àqueles que ainda não foram encontrados
Envolve com Tua verdade àqueles que partiram ao teu encontro
Envolve com Tua força àqueles que estão, neste exato momento, arriscando sua vida em prol do próximo
Envolve com Tua energia nossos corações, para que todos possamos ser neste momento, cada qual do seu jeitinho, parte do Teu grande milagre

Papai do Céu...
Envolve com Teu amor... a todos nós!



Metalsinter

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Chuva de amor

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 26.11.08

Ainda estou meio sem chão com tudo que está acontecendo. A fúria anunciada da natureza trouxe uma realidade assustadora para dentro de nossos lares... casas soterradas... pessoas desabrigadas... mortes... desespero... miséria... o ser humano completamente indefeso frente as intempéries do tempo. Nunca a conseqüência de nosso descuido com o planeta esteve tão perto de nós.

A dor sempre é capaz de liberar dois sentimentos antagônicos: o primeiro é a solidariedade, esta maravilhosa e sólida onda, que envolve a todos indistintamente, independente de crença, nacionalidade ou raça. Temos acompanhado a movimentação, os donativos e preces de milhares de pessoas, bem como os trabalhos incessantes de voluntários, dispostos a atos heróicos para salvar a vida do próximo, em detrimento de seu próprio conforto ou mesmo segurança. Infelizmente, tais acontecimentos acabam aflorando também o pior dos sentimentos do ser humano... a malevolência! Pessoas que entram em casas já destruídas pelas chuvas, para saquear o pouco que ainda resta para famílias que sequer tem um pedaço de pão para alimentar-se.

Neste momento crítico da história catarinense, nos resta reafirmar nossa confiança em Deus. Acredito piamente que nada escapa de Seus olhos protetores. Nossa visão dos acontecimentos é muito limitada. Provavelmente, se pudéssemos olhar de cima, com os olhos do Pai, visualizaríamos seus desígnios, e a busca do bem maior em cada ato... Geralmente, o medo, a angústia, o desespero, nos remetem a um estado de desconfiança e revolta... acusamos a vida de ser injusta... nos sentimos desamparados... não vemos solução imediata, ou mesmo motivos para os eventos que nos atropelam. Claro... toda essa minha clareza e resignação também se deve ao fato de estar escrevendo esse texto no conforto da minha casa, longe das conseqüências físicas dessa desgraça toda. Mas, é impossível não ser arrebatada emocionalmente por essa nuvem de tristeza que trafega pela nossa bela Santa Catarina.

É justamente nesta hora, que, se deixarmos, sentiremos Deus mais perto de nós, nos confortando, e, principalmente, nos dando forças para caminhar e cumprir nossa missão... É nessa hora de fragilidade que conhecemos nossa verdadeira fé... É nessa hora que reconhecemos a face de Deus nos rostos desconhecidos que nos estendem a mão, em profunda solidariedade...

Faço minha as palavras do amigo Paulo Roberto Gaefke: "Somos uma aldeia gigantesca com seres humanos que apesar de diferenças de pele, de crença ou de ideologia, são filhos de um mesmo Pai, que manda um recado há séculos para os povos: Uni-vos e amai-vos uns aos outros enquanto podem caminhar juntos."

Nessas horas, em que a tristeza nos atropela, despimos as vestes da política, da religião, das crenças, da nacionalidade, das diferenças e vestimos a camisa da solidariedade, onde somos todos iguais: seres humanos, irresistivelmente imperfeitos, em busca da verdadeira felicidade!
Que Deus em sua infinita bondade, possa abrandar o coração daqueles que de forma direta ou indireta foram atropelados por essa tragédia...
Que a energia que emana de nossos corações em prece, possa atravessar fronteiras, e enlaçar nossos irmãos, que em qualquer parte do mundo jazem em seu sofrimento, lhes dando a certeza de que jamais estarão sozinhos em sua dor...
Que o sol possa voltar a brilhar não apenas no céu de nosso desespero, mas, principalmente, no nosso coração que bate em descompasso... tamanha a dor!



Solidariedade

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Carro 2816

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 24.11.08



Estive em Joinville no final de semana, e me conectei com minha família ao invés da internet (tá, confesso, tive crise de abstinência :-). Ficamos todos reunidos no "ninho" originário, como nos velhos tempos. Neste aspecto, minha viagem foi revitalizante. Entretanto, em contraste com todo esse calor humano familiar, lá fora a chuva caía castigando severamente a cidade. As manchetes dos jornais alardeavam que todo o estado de Santa Catarina estava a mercê do tempo.
A volta para Florianópolis estava marcada para as 16:51 hs de domingo, sendo que o ônibus vinha de Curitiba. Fui informada que muito provavelmente chegaria em Floripa com pelo menos 2 horas de atraso.
Apesar das vozes contrárias dizendo que eu deveria viajar somente no dia seguinte, resolvi seguir minha intuição. Embarquei no carro 2816 às 18:00 hs.
Logo depois do posto policial de Barra Velha, que fica apenas 45 km da entrada de Joinville, a água invadiu a pista, cobrindo uma pequena ponte sob a qual "deveria" estar passando apenas um tímido riacho, e não aquela enxurrada toda. O motorista, de forma responsável, parou para avaliar a possibilidade de seguir em frente. Infelizmente, as águas avançaram mais rapidamente do que qualquer pensamento ou tomada de decisão. Em poucos minutos seguir em frente já não era mais uma escolha. Atrás do ônibus uma grande fila se formara. No meio da pista, um muro de concreto. Não havia para onde correr. Estávamos presos no KM 93 da BR 101, na pista sentido norte-sul.

As informações eram desencontradas. A equipe de resgate, que ficou o tempo todo margeando a área alagada, alertava que outras partes da estrada estavam comprometidas, e que chegar a Floripa seria impossível. Diante deste quadro fatídico, o melhor remédio parecia ser voltar para Joinville. Para isso, vários ônibus que seguiam na pista sul-norte foram parados, e passageiros afoitos correndo na chuva com mala a tiracolo foram recolhidos.
A simples possibilidade de poder voltar para Joinville, longe de todo aquele pavor, era tentadora demais. Como muitos outros passageiros, não resisti. O primeiro ônibus que parou eu perdi, porque me enrolei para arrumar as coisas e pular para o outro lado da pista. O segundo ônibus eu alcancei, na chuva, juntamente com outros passageiros. Entretanto, pasmem, o motorista disse que seguiria direto para Curitiba, se recusando a parar em Joinville para não "atrasar" a viagem.
Enquanto isso, a noite caia, a água subia cada vez mais, e timidamente a chuva anunciava que iria voltar para ficar. Retornei para o carro 2816, e minha cabeça estava a mil. Procurava decidir se ficava ou tentava voltar.... me repreendia mentalmente por ter insistido em viajar naquele dia... na verdade, todo esse burburinho visava esconder o medo que estava começando a dar sinal de vida. Quem passou por situação parecida sabe que ficamos completamente vulneráveis frente as intempéries da natureza.
Resolvi voltar para a minha poltrona, e descansar um pouco. Tinha reclamado a semana toda que não conseguia tempo para terminar de ler meu livro ("A Cabana"). Bom, naquele momento, tempo eu tinha de sobra. Retornei à leitura de onde tinha parado. E, incrível como o universo sempre arranja uma forma de nos confortar. Se estivermos atentos aos sinais, sempre saberemos que caminho seguir.
O capítulo falava exatamente num dos males que assola a humanidade, qual seja, a mania de sempre classificarmos as coisas como "boas" ou "ruins". E, é claro, esse nosso pré-julgamento é limitado a minguada visão que temos dos acontecimentos. Um momento em específico pode ser catastrófico. Entretanto, quando analisado dentro do contexto global, torna-se uma benção. Em determinado momento, o autor me brindou com a frase que acalmaria de vez meu coração: "Não estou pedindo que acredite em nada, mas vou lhe dizer que você vai achar este dia muito mais fácil se simplesmente aceitá-lo como é, em vez de tentar encaixá-lo em suas idéias preconcebidas".

Naquele momento, agradeci a Deus pelo conforto e me entreguei. Guardei a mala, me ajeitei na poltrona e confiei... apenas confiei.
Horas depois seguimos viagem, com o ônibus enfrentando bravamente a água que invadia a pista. Mas, não fomos muito longe, novo trecho da estrada estava interrompida pelo avanço das águas. Bom, só restou ao motorista uma opção: fazer o retorno. Lá estávamos novamente na estrada, sentido sul-norte (Floripa-Joinville). Paramos num posto, onde então nos reunimos com mais 02 ou 03 ônibus. Os motoristas concluíram que para conseguir seguir em frente deveriam, antes, retroceder. Assim, voltamos até Itajuba, seguindo por dentro até Navegantes, onde então, retornamos para a BR 101.
Apesar do cansaço de todos, a paisagem desoladora que se desenrolava ao nosso redor, nos impedia de pregar os olhos. Parecia cena de um filme triste: o comboio seguia absolutamente só, desviando de destroços, carros abandonados, profundo breu. Não havia outra alma viva trafegando numa das rodovias mais movimentadas do país. A pista sentido norte-sul simplesmente desapareceu sob as águas. Seguíamos pela contramão, e a correnteza fazia com que o ônibus balançasse. Parecia que estávamos dentro de um rio, e não numa estrada federal. Em alguns locais, era possível enxergar somente o telhado das casas e a copa de algumas árvores. Era impossível conter as lágrimas...
Depois de algumas paradas e desvios, empacamos novamente em Tijucas, onde ficamos pelo menos umas 04 horas esperando a água baixar. Enquanto isso, a chuva continuava açoitando o ônibus.
Chegamos em Florianópolis as 06:00 hs da manhã. Exatas 12 horas de viagem. Quando desembarcamos, encontramos a rodoviária completamente vazia, e fomos informados por alguns funcionários que permaneceram de plantão, que foram suspensas as entradas e saídas da rodoviária de Floripa, até quinta-feira próxima. Ninguém entra... ninguém sai. Além disso, 3 trechos da BR 101, entre Joinville e Florianópolis, haviam sido totalmente interditados, nos 2 sentidos.
Ou seja, apesar de tudo conspirar contra... de, a primeira vista, ter pego aquele ônibus no meio do caos parecer a pior escolha possível... de todos dizerem que jamais chegaríamos ao nosso destino... o carro 2816 foi um dos únicos que conseguiu desembarcar na rodoviária de Florianópolis.
Sim... eu estava no lugar certo, no momento exato. E, para isso, eu só precisei... confiar!

Lembrete para mim: comprar um celular com bateria de longa duração. Naquele caos todo, as engenhocas eletrônicas do meu celular (câmera embutida, agenda com figuras animadas, musiquinhas high-tech) não me serviram para nada. Eu só precisava que a bateria durasse... só isso!

PS: O cansaço me impede de raciocinar direito. As imagens de destruição que vi na viagem não saem da minha cabeça. Os apelos dos desabrigados encontram eco no meu coração. E a chuva continua firme. Por favor Deus... que possamos entender os Seus desígnios com a maior brevidade possível :-(

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Chover ou não chover

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 21.11.08

Minha terra natal, Joinville, é a cidade dos príncipes, das flores, das bicicletas... e da chuva! Todo mundo sabe que, para chegar em Joinvacity, é só seguir "toda vida reto" e virar na primeira nuvem à direita (não "essa direita"... a outra... "ô mo deuso", me conhecendo é fácil: se eu mandei "virar pra lá", "vira pra cá" e pronto). Se começou a chover na segunda, pode contar, com um pouco de sorte vai no mínimo até domingo (com azar, conta aí umas duas semanas). Tá louco, e eu lá sou sapo para gostar de tanta água?

Sem sombra de dúvida, quando me mudei de mala e cuia para Florianópolis, esse detalhe não passou despercebido: a ilha da magia é o oposto, reluz como ouro, é puro sol. Ahhhh que ma-ra-vi-lha! Acordava pela manhã, e lá estava ele: o sol. Hummmmm, ia almoçar, e quem estava a me espreitar pelo calçadão, lindo, imponente, todo luz? O soooolllllll... uhuuuuuu! Fim de tarde, indo para casa, perdida em pensamentos sobre a ponte, curtindo aquele marzão azul, quem me fitava no horizonte? Quem? Quem? Soooooollllzãaaaooooo, se preparando para dormir e explodindo num espetáculo de cores. A noite (não gracinha, o sol não aparecia... dãaaaaa), aquela lua escancarada refletindo no mar... estrelas brilhantes cintilando... tudo contribuia para embalar os sonhos e devaneios dos meros mortais.
Final de semana? Praia e, claro, muito soooollllll... yessssss!!!!! Isso é que era vida, Floripa realmente fazia jus ao seu hino... um pedacinho de terra perdido no mar (e escoltada pelo sol por todos os lados).

E assim foram passando as horas iluminadas... os dias ensolarados... os meses brilhantes... os anos ofuscantes... e... GENTE! Peraí um pouquinho: pelo amor de Deus, assim não dá, é muita luz, nem sou tão iluminada assim, hellooooooo São Pedro esqueceu de mim, larga Joinville um pouco e trás o pinico pra cá. Credo, será que não chove nesta terra? Tá louco, e eu lá sou lagarto para gostar de tanto sol? Minha pele já está ficando com ares daquela técnica que a minha mãe usa no artesanato dela: craquelê.

Verdade seja dita, chover até chovia... mas, ao estilo ilha da magia: mal o pingo chegava na calçada, já batia o tal do "vento sul" (unf, aquele ¶¢£©§¥º¿ØÐÒÒ) e levava as nuvens negras, carregadas e lindaaaaassss embora. Juro, não chegava nem a dar cheirinho de terra molhada. Eu já tinha em casa o kit chuva: deixava livro, cobertor, chocolate, chinelo macio, tudo dentro de uma caixinha, sempre a mão. Quando o primeiro pingo desabava, eu me jogava com o kit todo no sofá. Mas...não dava certo. Dava tempo para: ou abrir o livro, ou me enfiar embaixo do cobertor, ou abrir a embalagem do chocolate, ou colocar o chinelo. Tudo junto nem pensar, porque o sol já estava lá, a postos, amarelão que só ele, zombando da minha cara de tacho (vento sul desmancha prazer). O negócio era colocar o cd "som das chuvas", aumentar o volume, fechar a janela (e o "blackout") e... fingir.

Ahhhh seres humanos, eternos insatisfeitos. Praia e sol? Arrggghhhhhh... Comecei a sentir saudade daquela chuvinha batendo na janela, do borbulho da água escorrendo da calha, do cheiro de capim molhado, da lamentação suave das nuvens carregadas. E a trovoada reboando nos céus então? Nooooossa, fazia décadas que não ouvia.
Fala sério, você há de convir que ler um livro, jogada no sofá, ouvindo a melodia da chuva crepitando na janela, é um prazer inenarrável. Comer bolinho de banana com café bem quente, contrastando com o friozinho da chuva fina então? E namorar tendo como pano de fundo a chuvinha? Coisa de outro mundo...

Mas, como diz aquele famoso jargão: cuidado com o que deseja, pois... você pode conseguir!
E, cá estamos, em plena ilha da magia, no décimo terceiro ou quarto final de semana seguido de chuva. Durante a semana é um misto, chove, dá sol, e assim vai, se arrastando.
Ok Deus, o Senhor venceu. Sei que São Pedro administra a coisa, mas achei melhor falar direto com o "big boss". Puxa Deusinho, nós dois temos uma relação tão saudável (eu peço e o Senhor obedece... típico casamento perfeito). Lembra aquela vez que pedi para ganhar na mega sena sozinha? E quando estava na fase dos ovni´s e implorei para ser abduzida por um ET com a cara (e corpo) do George Clooney? E a oração básica para descobrirem a fórmula de um chocolate que não engorda, não dá espinha e nunca acaba? Pois é... o Senhor NUNCA me atendeu... tô achando que mereço um prêmio de consolação Papai do Céu.
Assim, nem ao céu, nem ao inferno, por favor, eu quero é equilíbrio. Não quero virar um lagarto mofado, muito menos um sapo estorricado. A fórmula é bem simples: joga Joinville e Florianópolis dentro de um tanque, bate bem, aperta, sacode e pronto... teremos a fórmula da felicidade. Sol e chuva de mãos dadas, brincando serelepes pelos nossos dias, nos brindando com sua presença de forma equânime (ieba, li essa palavra esses dias e tava louca pra usar... tava difícil enfiar a bichinha neste texto).
Entendeu? Puxa Pai, até parece que estou pedindo para criar o mundo em sete dias...

Quer saber: estou desconfiada que Deus é geminiano e São Pedro... bipolar ;-).


PS1: Janini, estou adorando seus comentários. E, respondendo sua pergunta, todos os sites em que estavam publicados os textos da Martha foram desativados.. tinha no "terra" (reproduzidos no livro "Montanha Russa") e no jornal "o globo" (reproduzidos no livro "Coisas da Vida") :-(. Atualmente, só estou acessando o Jornal Zero Hora, onde ela publica uma coluna na quarta-feira e no domingo. Beijocas!


PS2: Hoje estou na cidade da chuva... hehehe... logo, postei ontem e estou testando a tal postagem pré-datada. Vamos ver se funciona direitinho.

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Simplesmente amor

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 20.11.08

A gente até tenta manter o alto astral, ver sempre o lado bom das coisas, sintonizar com as boas vibrações do universo. Só que às vezes a recepção falha, e ao invés do canto dos anjos só ouvimos chiaço. Quando a coisa aperta, eu durmo com o DVD do Lair Ribeiro rodando (para munir meu subconsciente enquanto sonho... ei, não dá para dar folga ao pessimismo).
Entretanto, nossa efêmera (melhor dizer "eterna", porque vai demorar para criarmos asinhas. Já chifrinhos...) condição de meros seres humanos em lento processo de evolução, não raras vezes nos dá uma bela rasteira.
E a gente cai, desaba, se amontoa. E choramos, chutamos, esbravejamos, amaldiçoamos tudo que respira. E nos sentimos solitários, abandonados, incompreendidos. Completamente desprotegidos, ficamos a mercê do pessimismo, má-sorte, lamentações. Desacostumados que estamos com os sentimentos verdadeiros, tropeçamos na nossa inabilidade em pedir colo, abraço, beijo, afeto... qualquer tipo de ajuda que nos devolva o brilho nos olhos. Enfim, o lado negro da força emerge e não tem jedi que faça ele voltar para suas origens. E quando achamos que não há mais lugar para descer, cavamos mais um pouquinho, e damos de cara com o Darth Vader pronto para nos converter (sei lá porque estou com o Jornada, ops, Guerra nas Estrelas na cabeça, acho que vi uma propaganda ontem... e, quer saber, me poupe, esse não é o tema central do texto, coisa chata ter que explicar tudo).
Assim, quando a Louise Hay apanha do Osama Bin Laden, e o Bush aniquila o Deepak Chopra, bem, não resta outra alternativa, tenho que apelar também: arregaço as mangas, abro o armário e saco a minha ultra arma secreta: o filme "Love Actually" (no Brasil traduzido para "Simplesmente Amor").
Confesso, esse filme é o meu último recurso. Quando tudo mais falhou e estou prestes a cair nas garras da desesperança, paro bruscamente, pego uma caixa de lenço e corro para os braços dele (não, não é o Hugh Grant, o Rodrigo Santoro e o Colin Firth que me animam... acreditem, se estou apelando para esse filme, o meu estado está tão deplorável que nem o Clooney peladão arrancaria maior reação).
Nem preciso dizer que já me acabo em lágrimas na primeira cena (é sim, a cena de abertura que fala dos abraços nos aeroportos). Na verdade, nem sei direito o que me toca. Acho que é um conjunto de fatores: a singeleza da mensagem... a naturalidade com que o filme trata de assuntos tão profundos... a humanidade com que enfrenta os dissabores da vida, como a morte, a traição, o desengano, a amizade, o desejo, a perda... a vulnerabilidade mostrada como sinônimo de força e não fraqueza... tudo isso aliado a uma trilha sonora de tirar o fôlego (sim, tenho o cd também... não, só o cd não me anima, aliás, só o cd me deixa com dor de cotovelo... ei, eu nunca disse que era uma pessoa simples de se entender... deixa isso para minha psicóloga).

Esse filme sempre restaura a minha crença na raça humana...
Me faz acreditar que o homem é muito mais do que esse ser vil que mata, estupra, rouba, mente, joga crianças pela janela como se fosse um saco de batatas. Ele também é uma criatura dotada de extrema bondade, autor de atos de abnegação que não saem estampados nas capas dos jornais, capaz de emoções que por si só são um milagre.
Me devolve a magia que a guerra detonou.
Preenche o vazio que a decepção criou.
Me eleva para mais pertinho de Deus.
Cada lágrima que derramo é um bálsamo, que vai cicatrizando aos pouquinhos as feridas que o excesso de realidade acaba abrindo, o cotidiano cutuca e a falta de cuidado expõe.

Por isso, se você chegar lá em casa e me encontrar no sofá com os olhos vidrados neste filme, senta ao meu lado, respira fundo e permita que o seu coração embarque com o meu numa viagem de volta à emoção, esperança e alegria de viver (se não quiser viajar, "xispa" ou põe um colete salva-vidas, porque, acredite quando eu digo: você vai se afogar nas minhas lágrimas).

Não importa se alguém lhe machucou um dia; se a esperança lhe foi arrancada do peito com requintes de crueldade; se você tem vontade de tentar a vida em outro planeta menos agressivo... porque, mais cedo ou mais tarde, você vai se render as evidências (Deus é persistente, não vai desistir de você) e descobrir que "o amor simplesmente está em toda a parte"!

“Sempre que me entristeço com o mundo, penso nos portões de chegada dos aeroportos. Dizem que vivemos num mundo de ódio e ambição, mas eu não acho. Sinto que há amor em todo lugar. Nem sempre algo que valha alguma manchete, mas está sempre ali. Pais e filhos, mães e filhas, maridos e mulheres, namorados, namoradas, amigos antigos. No atentado às Torres Gêmeas, os recados de quem estava nos aviões não foram de raiva. Eram todas mensagens de amor. Se procurar, creio que descobrirá que o amor simplesmente está em toda parte.” (texto de abertura do filme).




Simplesmente Amor - Trailer

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Aqueles dias

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 19.11.08

Sabe aqueles dias em que você acorda amuada, sem razão aparente? (NÃO! Não é a TPM... que mania dos homens sempre tacharem qualquer indisposição disso). O dia anterior transcorreu dentro dos limites da normalidade... a noite de sono foi satisfatória... George Clooney apareceu em sonho para dizer que te ama (e depois ele provou isso de diversas formas e posições).... e, no entanto, como num passe de mágica, você levanta da cama com cara de quem comeu, não gostou, e ainda quer matar o cozinheiro.
Se olha no espelho tentando em vão passar a cara amassada, e elege preto como a cor do dia (e não pelo quesito "sensualidade"... é pelo senso de "fatalidade" mesmo)! Não há maquiagem que disfarce o olhar assassino, que impede até mesmo os bons espíritos de chegarem perto (eu sei que o meu anjo da guarda aproveita para folgar nestes dias). Perfume escolhido para disfarçar o azedume? "Inferno Vermelho" (que é o teu destino se insistir em me encher o saco).

Pois é... hoje é um destes dias para mim!
Semana passada recebi um texto que continha, entre outras pérolas, testemunho de pessoas que afirmavam com assombrável certeza, que bom humor era uma questão de escolha. Decidi que este seria o dia ideal para testar esta premissa tentadora.

Entrei no escritório decidida a resgatar o meu sol interior (mesmo que aos meus ouvidos só chegassem os estrondos da mais temível tempestade).
Abri a porta, com aquele sorriso amarelo, dando bom dia às minhas plantas (o sorriso sumiu quando eu chutei a porcaria do vaso, que a diarista insiste em trocar de lugar sem avisar).
Abri as janelas para deixar a luz natural entrar, cinco minutos antes de cair o maior "toró" que inclusive, molhou papéis que estavam fazendo não sei o que em cima do balcão (droga! levei a sombrinha para casa ontem e fiquei com preguiça de trazer hoje...).
Mas, pensei comigo mesma: o que é um chute na unha encravada, ou uma chuva torrencial fora de temporada em plena ilha da magia? Nada suficiente para acabar com o meu bom humor fabricado, ou apagar a chama incandescente que tenta brilhar vitoriosa sobre meu mau humor (ugh!!!!!!!!! E, afinal, é "mau humor" ou "mal humor"? Sempre me dá um branco... Quer conhecer Jesus mais cedo? Experimenta deixar um comentário me corrigindo).
Atendi o primeiro telefonema do dia, com uma voz cordial e acolhedora... e é claro, era engano!
Na segunda vez, a voz já não acolhia tanto, mas, mantive a cordialidade...
Agora, na terceira vez, quando reconheci a voz esganiçada que queria por que queria reservar um quarto com cama de casal king size, mandei a cordialidade às favas e soltei as feras que moram dentro de mim (em pensamento é claro, afinal eu sou uma "lady"... mas te garanto que a anta nunca mais vai discar um número errado nesta e nas próximas vidas... para dizer a verdade, acredito que jamais vai chegar perto de um telefone novamente sem sentir um arrepio na espinha).

Mas, tudo bem... o que são pequenos contratempos ante a plenitude do universo e as eternas possibilidades que nascem a cada segundo? (nooosssssaaa... cheguei a ficar enjoada com tamanha falsidade...).
Liguei rapidamente meu computador, ávida por notícias e emails (e o Windows resolveu fazer uma atualização automática para baixar o Service "Puke" 4.99999xyz, o que significa, no mínimo, que daqui a 10 minutos vou conhecer um erro novinho em folha – beeeeemmmm atualizado! –). Qual não foi a minha surpresa em constatar NOVAMENTE problemas na conexão.
Respirei fundo... não uma... nem duas, mas pelo menos umas dez vezes, e liguei para o suporte. Quando a criatura infeliz (que havia me atendido ontem... e anteontem, em função do MESMÍSSIMO problema) perguntou se eu "já havia reinicializado o micro"... eu juro... respirei fundo novamente umas "trocentas vezes" (e me engasguei)... entoei mantra... entornei dois litros de chá de camomila concentrado... tentei aquela posição que aprendi na Yoga para "buscar meu centro"... lembrei dos ensinamentos de Chico Xavier e até Jesus Cristo pregado na cruz perdoando os pecados daqueles infelizes desfilou na minha mente. Mas, nada disso, enfim, foi capaz de segurar a enxurrada de impropérios que voaram de meus lábios com rapidez fatal e pontaria certeira. Fiz exercer, em toda sua plenitude, meus direitos de consumidora I-R-A-D-A (meus cinco anos de faculdade se pagaram nesse momento de puro deleite). E, sabe do que mais? Me senti bem melhor, depois de destilar um pouco de veneno para fora das minhas próprias presas...

Mas, estou decidida a não desistir! Preparar um café seria algo maravilhoso (se a porcaria do pó não tivesse acabado... e, está chovendo... lembra? E EU ESTOU SEM SOMBRINHA!).

Ora, tudo bem... finalmente entendi o recado! O universo elegeu este como meu dia negro, e quem sou eu para lutar contra as forças incompreensíveis que movem este planeta? Recuperei minha cara de mal (ou mau? vai... corrige... poooorrrrrrrr faaaaavooooorrrrrrrrrrrrr corrige... make my day!), joguei o texto de auto-ajuda fora, e me senti muito mais feliz (e você também vai se sentir se não cruzar no meu caminho hoje... só hoje OK? E, pelo amor de Deus... não me olha com essa cara... JÁ DISSE QUE NÃO ESTOU NA TPM!!!!!!!!!!!!!).

PS: História baseada em fatos mais do que reais. Se alguém tiver alguma dúvida, favor entrar em contato com a autora. Por favor, venha utilizando um pára-quedas... a não ser que não tenha qualquer amor a vida ou seja fã de esportes radicais (porque uma queda livre direto do décimo primeiro andar é o que vais encontrar!)

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Hoje

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 18.11.08

Engraçado como a vida nunca cansa de nos ensinar.
Já havia decidido que não iria para Joinville em novembro, pois, além dos compromissos profissionais que se avolumam no final de ano por causa das férias forenses, também estou em contenção de despesas. Logo, se o Natal já está praticamente batendo na porta, poderia unir o útil ao agradável e viajar só uma vez (e na véspera).
Entretanto, algo me tocou profundamente. Um dos clientes do escritório, com quem mantemos contatos periódicos, sofreu um acidente (inalou gás numa inspeção de rotina a um poço e perdeu os sentidos), que, em minutos, mudou a sua vida e de seus familiares para sempre. Perplexa, ouvi o relato de sua sogra passar pelas palavras: coma, derrame, perda de memória e funções, cadeira de rodas, seqüelas. Desliguei o telefone completamente passada. Como é que pode? Falamos com ele ainda ontem... É aquela famosa sensação de assombro, pois vivemos como se coisas deste tipo nunca fossem acontecer com pessoas de nosso convívio.
Impossível não divagar... E se um raio caísse na minha cabeça neste exato momento (ei, não teve aquele cara que foi atingido jogando futebol?), de que adiantaria a minha economia? E se eu tivesse que viajar para um funeral, não arranjaria tempo e dinheiro? Claro que sim!
Hoje, eu tenho escolha: posso viajar e ir ao encontro da minha família, dos meus amigos, das pessoas que são o meu alicerce de vida. Confesso, que a simples idéia de que, de repente, a singela possibilidade de abraçar um ente querido possa não mais ser uma opção, me apavora.
Não devemos, em hipótese nenhuma, ficar antenados vinte e quatro horas nas desgraças do mundo. Afinal, "pensamentos se transformam em coisas". Se passarmos o dia ouvindo ou lendo sobre os acidentes, os assassinatos, os assaltos, enfim, sobre essa sombra que paira sobre nosso planeta, nunca mais sairemos de casa. Viraremos prisioneiros de nossos próprios medos.
Claro, também não podemos ir ao extremo, e sermos completamente desleixados. Gosto de pensar que Deus está sempre vigilante, mas, na maioria das vezes, Ele precisa das nossas mãos para os detalhes (ou seja, não adianta deixar o carro todo aberto em uma área perigosa e ficar parado, rezando para não ser roubado).
Entretanto, também não podemos viver como se todas as pessoas fossem imortais. Como se dispuséssemos de todo o tempo do mundo para fazer as coisas do nosso modo, na hora que bem entendermos. Não podemos negligenciar hoje pensando que sempre teremos amanhã para consertar. Infelizmente, só o agora está nas nossas mãos. O ontem já era, e o amanhã, foge completamente do nosso controle.
Afinal... e, se o amanhã não chegar? Qual foi a última coisa que você fez ou falou para as pessoas que lhe são caras? Já pensou nisso? Já imaginou que o abraço que você economizou hoje, por medo, orgulho ou desleixo, poderá nunca mais ser dado justo naquela pessoa que você sabe ser tão especial? Já refletiu que aquela besteira que você falou só para ganhar a discussão, pode ser a última conversa que você teve com seu amor, sua amiga, seu parente?
Termino essa reflexão com uma frase cuja autoria desconheço, mas que, nem por isso, deixa de ser um grande ensinamento: "Sonhe como se fosse viver para sempre, viva como se fosse morrer amanhã!".

PS: Já comprei as passagens e coloquei a sombrinha na mala... Joinva, me aguarde!

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De molho

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 17.11.08

No final de semana a cólica já deu os ares da graça. Mas, fui firme e não deixei de fazer as minhas coisas por causa dela (fala sério que eu ia deixar de sair com a mana e a Luisa por causa de uma dorzinha alucinante?). Entretanto, hoje ao acordar, tive que jogar a toalha e ficar de molho em casa (ou eu pensava ou gemia, os dois juntos estava difícil).
Por muito tempo amaldiçoei os famosos "dias vermelhos". Sofria de dores terríveis, tinha todo tipo de privações. Achava que Deus estava de mal humor (ou tinha levado um fora) quando projetou essa parte do mecanismo feminino. Até que os tratamentos, leituras e terapias começaram a fazer efeito.
Percebi (e aceitei) que isso faz parte da vida da mulher. Claro, deveria ser algo mais palatável (e no fundo é!), mas, no meu caso em específico, reconheço que ainda não aprendi alguma liçãozinha básica (ou aprendi e esqueci, o que é mais provável). Sim, sim, sou adepta da teoria que "o corpo fala" (e o meu já nem fala mais, BERRAAAA... mas ando meio surdinha ultimamente).
Já tive médicos que me ofereceram o paraíso: não menstruar nunca mais. Mas, acho que sou meio "old fashion" (ou masoquista, como preferir). Acredito piamente na evolução. Nosso corpo é uma máquina perfeita, que só deixa de funcionar por nossa própria culpa (cigarro, bebida, estresse, má alimentação). Logo, o dia em que estivermos prontas para deixar de "dar o sangue pela vida", nosso corpo vai evoluir, gradativamente, para tanto. Aprendi na prática que pular etapas, inevitavelmente, atrasa mais ainda todo o processo. Que me desculpem os especialistas, estudiosos, doutores e metidos de plantão: mas, entre as engenhocas deles e o projeto original Dele, well, adivinhem qual me inspira maior confiança?
Li uma frase um dia que até hoje me faz rir: "Como alguém pode confiar em algo que sangra por cinco dias e não morre?" Hoje, me divirto com essa condição tão feminina (claro, na medida do possível... neste exato momento de dor, não estou achando a menor graça), principalmente, com a TPM. Semana passada mesmo, estava bem, de repente, só porque o Word travou, caí no pranto. Chorava igual a uma condenada, e não tinha a menor idéia do que estava acontecendo. Daqui a pouco, estava rindo de novo. Depois, queria por que queria jogar o micro pela janela (juro, só pra ver se ele planava). No dia seguinte, adivinha? Desceu :-) Fui obrigada a rir (mas, cá entre nós, tenho a "impressão" de que meu namorado não acha tão engraçado assim...unf! homens... :-).
Ora, se o negócio é sempre ver o lado bom das coisas, gosto de pensar que a vida ao lado de uma mulher nunca é monótona. Somos dotadas de multifacetas, e, a graça disso tudo, é justamente o simples fato de que a maioria delas a gente sequer entende ou controla. A partir do momento que aceitamos nossa feminilidade, passamos a perceber que nosso potencial é ilimitado e nossa essência divina (com um lado maquiavélico embutido).
Enfim, se não temos como mudar ou apressar a nossa natureza, portanto, acredito que o negócio é relaxar e gozar (bom, sobre esse outro mecanismo complexo que Deus criou, falo outra hora... alguém tem dúvida de que ele projetou a parte masculina em segundos e a nossa em décadas? helloooooo... saca só: Homens = botão liga e desliga. Mulheres = aperta o botão verde, liga o vermelho enquanto pressiona levemente o rosa, mas nunca puxe o botão verde simultaneamente com o azul. Dúvidas? Acesse o manual de funcionamento, principalmente a parte criptografada. É só descobrir a senha).

PS1: Os textos em cor mais clara são de autoria da Sheila-metida-a-engraçadinha. Sim, quando escrevo, é quem mais pode berrar dentro da minha cabeça. Tento, na medida do possível, deixar todas as minhas "eus" falarem (Deus me livre se eu não fizer isso... a Sheila-preterida vai ficar enchendo o meu saco até eu não aguentar mais)
PS2: Amigaaaaaa, que bom encontrar você por aqui. E, imagina, eu entendo perfeitamente os seus sumiços (a santinha ali entende, mas eu não, viu? xingo horrores... rssss).
PS3: Cunhadinhaaaaa, bom ter você por aqui também. Final de semana a gente mata a saudade :-)



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Terapia escrita

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 16.11.08

Kim McMillen & Alison McMillen escreveram:
"Quando me amei de verdade, passei a derramar meus sentimentos nos meus diários. Esses parceiros adoráveis falam a minha língua. Não precisam tradução".

Escrever sempre foi uma paixão. Talvez, por que seja um dos raros momentos em que largo mão do controle, de uma forma absurdamente segura.
Kim e Alison têm toda razão. Tenho um arquivo batizado de "diário eletrônico", guardado a sete chaves...digo senhas. Nele, despejo todas as minhas alegrias, revoltas, vitórias, dúvidas, mágoas, arrependimentos. Nele, grito palavras que jamais falaria em voz alta. Nele, desabafo, xingo, satirizo, dispenso todas as máscaras. Nele, destilo a raiva que antecede qualquer discussão, livrando minha alma de tudo que é emoção desnecessária e focando apenas no ponto certo. Nele, registro perguntas que não querem calar... incrível como todas são respondidas no tempo certo. Perdi a conta das vezes em que estava perdida, e, ao escrever, todas as peças foram devidamente encaixadas. Muitas das grandes reviravoltas que ocorreram na minha vida, começaram a ser moldadas através de frases desconexas, que foram tomando forma e ganhando voz com o passar do tempo. Talvez a escrita seja como um útero: uma fonte segura que me alimenta, até que todo o meu corpo e alma estejam alinhados e prontos para nascer.
É libertador você escrever sem qualquer tipo de amarra. Sem ter medo de ser julgada, mal interpretada, confrontada. Sem ter que explicar sentimentos que você mesma sequer entende. Sem ter que pisar em ovos para não magoar ninguém. Clarice Lispector já dizia: "Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo."
É uma forma eficaz de auto-conhecimento. Perdi a conta das vezes em que me diverti ou surpreendi com a Sheila de 10, 15 anos atrás. Talvez porque hoje consiga entendê-la melhor, e, nutra por ela uma profunda empatia.
Logo, escrever não é novidade para mim. A grande inovação deste blog é abrir algumas divagações despretensiosas para outros olhos além dos meus.
Mudanças são traumáticas!? Hummmmm... chegou a hora de reprogramar essa crença arraigada nos meus alfarrábios desde minhas primeiras anotações. Que a partir de hoje, as palavras desconexas comecem a fazer a sua mágica...


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Faxina

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 14.11.08

Não resisto ao clichê da famosa limpeza da virada do ano.
Janelas, armários, chão, teto, livros, cd´s, louça... nada escapa da minha vassoura voraz.
Mas, este ano, resolvi fazer diferente. Sempre que iniciava a limpeza, ficava agoniada para terminar. E, nesta pressa toda, minha casa virava um campo de batalha (minado). Ir no banheiro em plena madrugada, com as luzes apagadas e entorpecida pelo sono, poderia se transformar num acidente sem proporções. Isso sem contar que só conseguia ir trabalhar no dia seguinte a base de dorflex.
Desta vez, resolvi curtir a jornada (tanto quanto é possível desfrutar o cheirinho da k-boa). Coloco um som adequado (Britney Spears, Madonna, e afins), minha roupa de guerra, e me concentro num lugar por vez (bom... quero dizer... "tento"). Confesso que é um exercício de paciência. Percebi que ficar muito tempo num mesmo lugar me deixa desconfortável. Se estou arrumando o quarto e vou buscar algo na cozinha, meu primeiro impulso é começar a fuçar no banheiro. Deu para entender a bagunça? Descobri que na ânsia de fazer tudo ao mesmo tempo, fico completamente travada.
Logo, estou aprendendo com a esponja e o sabão, a ter foco.
Incrível como tenho dificuldade de abrir certas gavetas... de me desfazer de coisas que não servirão mais em mim nem numa próxima vida... de mudar os objetos de lugar. Aliás, mudanças para mim sempre foram traumáticas (dizem que é do signo). Gosto dos meus livros arrumados em ordem, por assunto, autor e tamanho. E, o dia que meu namorado disse que estava muito padronizado e arrumou de uma forma mais desorganizada, meu coração quase parou. Parecia que eu tinha perdido o domínio daquele espaço e nunca mais iria achar a Norah Roberts (que, deveria estar ao lado da Janet Dailey e não em cima do Stephen King). Mas, aprendi que há um certo alívio na desordem (organizada)... que os livros podem estar fora do lugar e manter o seu segredo... e, o que é melhor: não preciso ter um ataque de pânico só porque a simetria foi para o espaço.
Logo, estou aprendendo com o perfex, o Poliflor (brilho seco) e um "certo" geminiano cheio de criatividade, a abrir mão do controle.
Não é a toa que os livros de auto-ajuda alardeiam que, às vezes, ao fazermos uma faxina no quarto, estamos limpando também as teias da alma. É uma simbologia complexa e perfeita, e corremos o risco de passar o vidrex na janela e, por via indireta, iluminarmos os cantos escuros da mente.
Não sei quanto tempo vou levar para colocar a casa em ordem. Só sei que estou disposta a abrir, no meu próprio ritmo, cada gaveta, cada porta, revirar cada cantinho. Quero passar adiante o que não mais me serve, jogar fora os cacos que não podem ser colados, dar lugar ao novo, ousar (tanto quanto meu signo permita).
Tenho certeza que, ao terminar, vou estar moída fisicamente... mas, muito mais inteira (e, claro, com o ninho bem cheiroso).

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Eu

Posted by Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Sheila Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ on 13.11.08

Sou a soma das minhas experiências frustradas
Das minhas vitórias
Dos meus remorsos
Dos meus devaneios
Na loucura já fiz morada
No limite da insanidade já brinquei
Fui do céu ao inferno com a rapidez de um pensamento
Por mim já nutri desde ódio intenso até amor incondicional

Nos escombros do meu coração compreendi a dor do amor
Tanto quanto senti na pele o seu gozo
Na escuridão da minha alma várias vezes me perdi
E aprendi a acender minha luz e enfrentar o vazio de cabeça erguida
No redemoinho da minha mente travei discussões inócuas
Tentando buscar respostas para perguntas que já se calaram
E aprendi a reconhecer nos defeitos do próximo a minha própria imperfeição
Cresci num campo de batalha interna
Onde sempre fui minha mais ferrenha inimiga
A imagem no espelho sempre evitou me encarar de frente
Com medo de enxergar verdades que devem ser mantidas no limbo
Com pavor de assumir responsabilidades que urgem pela minha dedicação
Fui condenada por minha própria consciência
E absolvida pela vivência

Sou menina carente
Adolescente rebelde
E, enfim, mulher... em pleno desabrochar
Habitando o mesmo espaço
Disputando atenção plena
Dividindo sonhos desfeitos
Desejos secretos
Amores vividos
Paixões platônicas
Caindo nas armadilhas do destino
E levantando... cada vez mais fortalecida

Hoje, cansados de tanto desalinho
Minha alma acostumada às intempéries da existência
Minha mente dividida entre passado e futuro
(evitando encarar o presente)
Meu peito, onde pulsa um ser vivente e faminto
Que implora ser saciado
Enfim...
Todo meu ser pediu paz

Aceno então a bandeira branca
E parto em busca de mim mesma
Seguindo em frente
Catando pedaços largados no meio do caminho
Curtindo a minha própria companhia
Entendendo que a tão sonhada felicidade
Já mora dentro de mim!

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